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20170221_visita_baldios_jernimo_de_sousa_vilarinho_lous_1_web.jpgJerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP, visitou os Baldios da Freguesia de Vilarinho, na Lousã e reuniu com a Comissão de Compartes numa acção do PCP em defesa da produção florestal, pela prevenção dos incêndios florestais e em defesa da propriedade comunitária.

Na iniciativa valorizou-se o trabalho de gestão comunitária do Baldio, no ordenamento, limpeza, valorização e gestão da floresta, sublinhando que a prevenção faz-se fora das épocas de maior risco de incêndio. Jerónimo de Sousa valorizou a notável obra dos baldios, propriedade comunitária, gerida pelos povos que, quase sem apoios do Estado, e por vezes mesmo contra os empecilhos que sucessivos governos lhe colocam, defende e promove a floresta, assegurando ainda o apoio e a resolução de problemas das suas comunidades.

Recorde-se que, no Verão, em cima dos graves fogos que assolaram o país, o PCP visitou áreas ardidas em diversos pontos do continente e da região autónoma da Madeira, tendo assumido que não deixaria de reflectir sobre este assunto, fora da fase aguda.

Para o PCP é necessário ter presente que, em vastas regiões do país, as actividades agroflorestais são a garantia de fixar populações às suas terras, combatendo o abandono de despovoamento, pois muitas vezes são a única actividade económica que resiste.

 
Na visita foi possível constatar a dificuldade de combate a pragas e espécies invasoras da floresta, que requer permanente atenção e trabalho no terreno. A praga do nemátodo está longe de ser a única a afectar a floresta nesta zona, a ela acrescem o problema da processionária do pinheiro e da invasão por acácias.
 

20170221_visita_baldios_jernimo_de_sousa_vilarinho_lous_2_web.jpgOs representantes dos baldios deram nota de outro problema central para a gestão activa da floresta, que é o do preço da madeira pago aos produtores, questão que está ausente das propostas do governo na chamada Reforma da Floresta. Manifestaram a sua incompreensão sobre como é que o preço da madeira é o mesmo há 30 anos, que a madeira de eucalipto seja paga em Portugal a preços que são quase metade do valor pago em Espanha e noutros países. Deram notas de dificuldades de comercialização da madeira, de pinheiro bravo e de madeiras nobres, que muitas vezes são pagas a preço de lenha para queimar, e a falta de diversidade indústria de transformação da madeira, que impede que madeiras nobres sejam devidamente valorizadas o que põe os produtores mais vulneráveis ao domínio monopolista das indústrias transformadoras da pasta de papel. Os grupos económicos da pasta de papel decidem o preço, esmagando-o, para somar lucros fabulosos, e arruínam os produtores. Os baldios reclamam ainda a possibilidade de terem personalidade jurídica, igualdade de acesso a candidaturas ao quadro comunitário de apoio.

 
 

O PCP transmitiu a sua posição crítica face à chamada Reforma da Floresta, pois não responde ao problema central do preço da madeira, pois não associa um plano de investimento e sem dinheiro não é possível levar a cabo o necessário cadastro, ter mais equipas de sapadores e mais meios no terreno para o combate aos incêndios. A chamada Reforma da Floresta não tem sequer uma palavra sobre os baldios e sobre o apoio ao seu investimento, ignorando assim cerca de meio milhão de hectares de floresta nacional. Apesar de faltar dinheiro para estas questões, recentemente foram anunciados vários milhões para apoiar a indústria de papel.

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