Uma delegação do PCP, com o Vereador da CDU Francisco Queirós, visitou zonas da União de Freguesias de Lamarosa e S. Martinho de Árvore afectadas pelos incêndios de Agosto de 2017. A delegação percorreu as localidades de Vila Verde, Casais de Vera Cruz, Andorinha, Vale das Rosas, Ardazubre, Casal das Figueiras. Pode constatar que o fundamental dos trabalhos de recuperação e limpeza das vias está por fazer, colocando em causa o cumprimento da legislação em vigor. Pode constata...r a falta de condições da estrada entre Vila Verde e Andorinha e a desadequação das bermas em várias vias da freguesia. O Vereador da CDU levantou o problema em Reunião de Câmara Municipal de Coimbra, exigindo medidas imediatas para recuperar estas zonas afectadas pelos incêndios e garantir a prevenção de novas ocorrências e a segurança das populações. O PCP tem vindo a intervir no sentido de defender a floresta e o mundo rural e as pessoas que nele vivem. O PCP manter-se-á atento e no terreno no sentido de reivindicar medidas concretas de apoio às vítimas, aos bombeiros e ao aparelho produtivo desta região.
A Deputada do PCP, Ana Mesquita, questionou o Ministro do Ambiente, no âmbito das audições na especialidade do Orçamento do Estado sobre a Poluição do Rio Cobral em Oliveira do Hospital e sobre a Mata da Margaraça em Arganil. Segue o texto das questões colocadas:
"Senhor Ministro, queria aqui colocar duas questões sobre o distrito de Coimbra. A primeira é sobre a poluição do rio Cobral, em Meruge, Oliveira do Hospital. A ETAR de Meruge entrou em funcionamento em 2013 e implicou um investimento de um milhão e meio de euros mas, fruto da falta de ligação de duas fossas sépticas, apenas recebe um terço dos efluentes da Freguesia de Meruge. Em resposta a pergunta parlamentar em Fevereiro de 2016, o Governo disse ter a informação através da APA que a entidade gestora estava à espera de obter financiamento de forma a concretizar a obra. Foi também informado pelo Governo que a desactivação destas duas fossas sépticas ocorreria em 2016/2017. O Grupo Parlamentar do PCP visitou recentemente a freguesia de Meruge e constatou que ainda nada aconteceu. Estamos já em Novembro de 2017. O anterior Governo indicou que o investimento necessário para concluir a obra era só de 150 mil euros. A própria Junta de Freguesia, segundo o que nos informou, já propôs alternativas até mais económicas. Mas nada. Apesar de alegadamente existir tratamento de efluentes nas fossas sépticas, a verdade é que a população sente que a resposta é ainda insuficiente e defende que o seu direito a um ambiente sadio e à salvaguarda da saúde pública tem de ser integralmente respeitado. Por isso, é urgente concluir as ligações em falta e acabar com este jogo do empurra do que eram as responsabilidades das Águas do Zêzere e Côa que, entretanto, passaram para a Águas de Lisboa e Vale do Tejo, ficando as populações de Meruge esquecidas. O PCP quer saber, senhor Ministro, o que se passa e que medidas vai o Governo tomar para ajudar a encerrar este assunto? A segunda pergunta prende-se com a Paisagem Protegida da Serra do Açor, mais especificamente com a Reserva Biogenética da Mata da Margaraça. Conforme sabemos foi infelizmente afectada pelos incêndios em cerca de 80% da sua área. A Mata da Margaraça era considerada por muitos como “o último reduto de vegetação original do Centro do País”, uma mancha residual da vegetação climácica. O que o PCP quer saber, senhor Ministro, é que medidas com respaldo orçamental vai o Governo tomar para o esforço de reposição do equilíbrio na Paisagem Protegida da Serra do Açor, com a necessária dotação de meios materiais e humanos, incluindo a recuperação da Mata da Margaraça e garantindo que a diversidade florestal que a caracterizava continua a existir?"
Na sequência de várias acções de contacto com as populações e reuniões com entidades nas zonas afectadas pelos incêndios no distrito de Coimbra. no dia 5 de Novembro, o Secretário Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, visitou os concelhos de Arganil e Oliveira do Hospital. Visitando uma exploração agropecuária afectada pelos incêndios em Vila Cova de Alva, Arganil e a Zona Industrial de Oliveira do Hospital para visitar a Carpintaria Brito e Brito destruída no incêndio.
Jerónimo de Sousa defendeu que o Governo tem que concretizar apoios imediatos aos afectados e reafirmou o compromisso de o Partido tudo fazer para defender o mundo rural e defendeu medidas urgentes para acudir às vítimas. Reafirmou que não existe incompabilidade com o lançamento de medidas de fundo, e muito menos com a continuação da reposição de direitos e rendimentos aos trabalhadores por parte do Governo, a pretexto da necessária ajuda às populações assoladas pelos incêndios e que o Governo tem que demonstrar a mesma disponibilidade que houve para salvar a banca, concretizando no Orçamento do Estado para 2018 as verbas necessárias para que as pessoas possam fazer face à vida. Jerónimo de Sousa concluiu "que o sobrou em solidariedade do povo português não pode faltar em medidas orçamentais".
A DORC do PCP tem levado a cabo acções de contacto com as populações e reuniões com entidades nas zonas afectadas pelos incêndios no distrito de Coimbra. No dia 3 de Novembro realizou mais uma jornada com o Deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Ferreira, no Concelho de Mira.
A delegação do PCP reuniu com a Associação Empresarial de Mira, com várias empresas, com os Bombeiros Voluntários de Mira e visitou zonas afectadas. Demonstrou solidariedade às populações e bombeiros e tomou contacto, nos locais, com os danos causados pelos incêndios, tendo aprofundado o conhecimento no terreno de modo a poder fundamentar a sua acção aos diversos níveis.
O PCP reuniu com a Associação Empresarial de Mira, visitou uma empresa se substratos para a agricultura e uma de estufas de floricultura. A delegação do PCP pode fazer um balanço geral dos prejuízos no parque industrial do concelho, com dezenas de empresas afectadas, e com efeitos nefastos na economia concelhia. O PCP identificou a necessidade de esclarecimento rápido dos mecanismos de apoio ao restabelecimento da capacidade produtiva destas empresas e da necessidade de restabelecimento das telecomunicações, que em alguns casos ainda não estão funcionais, bem como de medidas que tenham em conta a situação excepcional causada pela tragédia. A delegação do PCP reafirmou a posição de exigência de medidas a que o Governo não tem dado a necessária resposta designadamente pela insuficiência de uma visão integrada, pela falta de quantificação orçamental, ou de meios e outros recursos para as concretizar.
Na reunião com os Bombeiros Voluntários de Mira, foi mais uma vez identificada a necessidade de investimento na prevenção, na criação e reforço de estruturas e meios dos serviços públicos, na criação de um corpo de Guardas Florestais e de Sapadores florestais, assim como, a necessidade de melhorar o sistema de comunicações, em particular com recurso ao satélite. Ficou evidente a necessidade de valorização dos Bombeiros e o incentivo ao voluntariado, assim como a necessidade de financiamento pelo Estado do reforço do efectivo permanente dos corpos de bombeiros de Associações Humanitárias.
A delegação do PCP reafirmou a necessidade de apoio prioritário e imediato às vítimas da catástrofe, a dimensão dos problemas reclama uma séria resposta que exige determinação política, medidas integradas na sua abordagem e opções orçamentais.
O PCP reafirmou nestas visitas que os trágicos incêndios que assolaram o País e o distrito, evidenciaram um conjunto de vulnerabilidades estruturais, designadamente, nos planos de ordenamento de território, da demografia, de infra-estruturas e serviços públicos, que são inseparáveis de quatro décadas de política de direita com consequências desastrosas no mundo rural, na agricultura, na floresta.