VALORIZAR A RUA DA SOFIA
A pedonalização das vias urbanas exige, invariavelmente, a reorganização da circulação automóvel nas restantes artérias. Com efeito, numa cidade como Coimbra (no seu todo), em que a circulação automóvel foi assumindo um relevo crescente, importaria discutir a mobilidade à luz de normas que, necessariamente, deveriam envolver decisões e investimentos, no plano urbanístico e de transporte público, que as sucessivas governações de Coimbra foram menosprezando. A recente súbita e não programada pedonalização da Rua da Sofia, que se soma aos constrangimentos resultantes das obras e circuitos da Metro Mondego, veio desequilibrar significativamente os percursos de quem se desloca na Cidade, não tendo sido acompanhada de estudos e decisões capazes de prevenir engarrafamentos e consequente demora na deslocação dos munícipes.
A medida, alegadamente destinada a valorizar a zona patrimonial classificada pela Unesco, não foi acompanhada de um estudo de impacto capaz de medir, designadamente, os efeitos da eventual alteração de frequência do comércio local e da alteração de paragens dos transportes públicos, nem conheceu qualquer tipo de medida de reorganização da circulação automóvel na Cidade. Acresce que o arranjo apressado da rua, distribuindo o espaço de forma provisória e improvisada, não é suficiente para garantir a circulação segura de viaturas de transporte público, a segurança nas esplanadas e o acesso adequado de viaturas de abastecimento do
comércio.
Sem que esteja em causa a absoluta necessidade de valorizar o Património, de repovoar a Baixa (em particular a Rua da Sofia), de disciplinar e reorientar os fluxos de circulação automóvel, entre outras medidas de fundo, constata-se que o impedimento da circulação automóvel na Rua da Sofia não cumpriu nenhum dos objetivos anunciados pela Câmara Municipal. Com efeito, apesar do esforço em atrair, para aquela importante e estruturante via de circulação, um variado conjunto de atividades recreativas e culturais, há que assinalar que tais medidas não constituem, por si só, um fator de fixação permanente de moradores, de afluência regular de clientes ao comércio local ou de acréscimo de visitantes (confrontados com a abertura incerta e desprogramada dos monumentos que povoam a Rua).
Mais, aos novos constrangimentos mencionados acresce a acentuação da situação de agonia do Mercado D. Pedro V que, também ele, foi objeto da mesma receita de animação recreativa e cultural, com o resultado que urge registar. Assim, a Assembleia Municipal de Coimbra, reunida no dia 19 de outubro, recomenda ao Executivo Municipal: - a suspensão de decisão de encerramento da circulação automóvel na Rua de Sofia, com a consequente suspensão das condicionantes de trânsito que isso acarretou, - o lançamento de um verdadeiro e responsável processo de estudo, avaliação de medidas e discussão pública, visando a tomada de decisão a favor da valorização efetiva da Baixa no seu todo, e da Rua da Sofia em particular.







