No Concelho da Figueira da Foz, à questão da exploração caulinos e da laboração da empresa Bioadvance, em Vila Verde, soma-se agora a recente denuncia, por parte de organizações de pescadores, sobre as obras de aprofundamento do rio na zona portuária na Figueira da Foz.
Com efeito, os responsáveis pelas dragagens estavam vinculados à obrigação de interromper o uso de explosivos entre os meses de dezembro e abril, altura em que espécies migratórias, como o sável e a lampreia, procuram a subida do Rio Mondego. Apesar de tal compromisso, o responsável da obra rapidamente contornou a situação, pedindo autorização a duas entidades para prosseguir com as explosões, nomeadamente ao IPTM, responsável pelo Porto Comercial e ao Capitão do Porto de Pesca que, sem motivo aparente, autorizaram a continuação dos trabalhos, desrespeitando as consequências do impacto ambiental já anteriormente avaliadas. Os interesses dos operadores no Porto Comercial têm-se sobreposto aos direitos que os pescadores deveriam ver salvaguardados, designadamente no que refere à sua segurança e condições de trabalho. A decisão da APA repôs a legalidade e impediu neste caso mais um crime ambiental.
Assim, e ao abrigo da alínea d) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa, e nos termos e para os efeitos do artigo 229.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP solicita os seguintes esclarecimentos: 1- Que informações tem o Governo sobre a exploração de caulinos e sobre o funcionamento da empresa Bioadvance em Vila Verde? 2- Que medidas e que mecanismos vai usar para evitar abusos semelhantes?
O PCP questionou o governo sobre Exploração de Caulino na Aldeia do Meco em Montemor-o-Velho.
As populações da Aldeia do Meco, Freguesia de Arazede, em Montemor-o-Velho, têm vindo a manifestar-se contra a exploração de areias siliciosas. Esta atividade de mineração trará consigo a degradação da paisagem, a perda de biodiversidade e graves impactos na qualidade de vida da comunidade, não só da freguesia de Arazede, mas de todo o concelho. Esta atividade não afeta só a Aldeia do Meco. As consequências da poluição, causada pelas micropartículas em suspensão na atmosfera, serão um problema para toda a região. No quadro de alienação dos recursos minerais do País os sucessivos governos atribuíram ao desbarato concessões de extração de minerais. No Distrito de Coimbra foram concessionados milhares de hectares destinados à extração em vários concelhos. A exploração desta matéria-prima apresenta benefícios económicos apenas para quem promove este negócio, mas acarretará consequências nefastas e irreversíveis para o território a nível ambiental, social e económico. Têm sido manifestadas preocupações designadamente com os lençóis freáticos, com o impacto do pó da extração nas atividades agrícolas e florestais, assim como com os efeitos negativos na qualidade de vida, dado que várias explorações ficam muito próximas de zonas habitacionais. Os impactos são espectáveis em diversos domínios, especialmente degradação ambiental, com a destruição de habitats naturais, perda de biodiversidade, erosão do solo e contaminação de lençóis freáticos; o impacto paisagístico, com a descaracterização da paisagem natural, afetando o património e o desenvolvimento sustentável. Salienta-se também a poluição atmosférica e sonora e o aumento do tráfego de veículos pesados e os problemas já conhecidos noutros pontos do País com a Saúde Pública, com o aumento de problemas respiratórios devido à dispersão de partículas de sílica. O valor do património natural, a saúde das comunidades e a sustentabilidade são incomensuravelmente mais importantes do que os lucros de uma exploração mineira que em nada beneficiará a vida e a economia local. Assim, e ao abrigo da alínea d) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa, e nos termos e para os efeitos do artigo 229.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP solicita os seguintes esclarecimentos: 1- Que estudos existem sobre os potenciais impactos nas linhas de água e consequentemente na atividade agrícola? 2- Que medidas pretende tomar para garantir que a avaliação de impacte ambiental inclua avaliação dos efeitos cumulativos desta exploração mineral com outras previstas para o Distrito de Coimbra?
O PCP questionou o governo sobre Sobre obras e projeto fotovoltaico na fábrica da Sonae Arauco, em Oliveira do Hospital.
A empresa Sonae Arauco, sediada em Oliveira do Hospital, viu recentemente aprovada a ampliação das suas instalações com notórios impactos paisagísticos e também recebeu validação do Governo para o corte de centenas de sobreiros para a instalação de um parque fotovoltaico junto à sua unidade industrial. A facilidade de aprovação destas obras contrasta com as dificuldades que pequenos e médios industriais e agricultores enfrentam para licenciamento das suas atividades e de instalações e até contrasta com as dificuldades que os pastores da zona têm em construir simples currais. Para a instalação da central fotovoltaica, o Governo aprovou o corte de mais de 500 sobreiros. A empresa comprometeu-se a compensar o abate com a plantação de novas árvores. O conceito de compensação levanta um conjunto de problemas e interrogações. Desde logo, se se pode considerar compensação a destruição de povoamentos florestais consolidados por novos povoamentos com árvores jovens, com taxas de sobrevivência a determinar, a centenas de quilómetros, mas também o acompanhamento e monitorização dos compromissos, que estão longe de salvaguardar ou de compensar o desequilíbrio provocado no ecossistema. O PCP tem vindo a defender que estes projetos não devem ser dispensados de processos de avaliação de impacte ambiental ou de Estudos de Incidências Ambientais e devem ser sujeitos a discussão pública; devem ser impedidos em solos classificados como RAN e ou incluídos em perímetros de rega e devem ter em conta perímetros de proteção às localidades. Em áreas REN, apesar de a legislação considerar de uso compatível, deveriam ser sujeitos a um processo de incidências ambientais e salvaguardar áreas de floresta autóctone, de montado de sobro e de azinho. Assim, e ao abrigo da alínea d) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa, e nos termos e para os efeitos do artigo 229.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP solicita os seguintes esclarecimentos: 1- Que fundamentos invoca o Governo para permitir o abate de sobreiros? 2- Para tomar a sua decisão, o Governo o consultou as populações afetadas? 3- Como fará o Governo a monitorização do processo, em particular das plantações compensatórias e que meios serão disponibilizados para o efeito?
O Grupo Parlamentar do PCP e a organização regional de Coimbra do PCP tomaram, uma vez mais, conhecimento das condições deficitárias em que se encontra a Unidade de Saúde Familiar Pulsar, a Unidade de Cuidados na Comunidade Norton de Matos e a Unidade e Saúde Familiar Norton de Matos, em Coimbra, onde se reportam casos de infiltrações e queda de água no interior do edificado.
Conforme já exposto em pergunta anterior, em Setembro de 2025, pelo Grupo Parlamentar do PCP, o edifício carece de condições mínimas para enfrentar as diferentes estações do ano. A ausência de climatização funcional torna as temperaturas insustentáveis no Verão e no Inverno, problemas estruturais na cobertura provocam infiltrações de água gravíssimas quando chove. Situação que se verificou no início do ano passado, em Fevereiro, e que uma vez mais se volta a verificar. A denúncia de queda de água no interior, que torna inoperável a passagem em determinados corredores e salas, tem já sido alvo de reportagens noticiosas, como também já foi exposto pelo Grupo Parlamentar do PCP e a organização regional de Coimbra do PCP.
Já em Setembro do ano passado, a Organização Regional de Coimbra, teve a oportunidade de reunir com as equipas clínicas das diferentes unidades de saúde familiar e da unidade de cuidados na comunidade, tendo tido também a oportunidade de visitar o edifício. No resultante desta visita, encetou-se uma pergunta ao Governo e ao Ministério da Saúde que ao invés de dar respostas concretas e soluções imediatas, procurou deslocar as responsabilidades para outras entidades e salientar algumas medidas, embora estas se tratassem de soluções sem impacto significativo na resolução do problema (tal como por exemplo, a colocação de ventoinhas nos corredores e salas).
Na anterior resposta, do Governo e do Ministério da Saúde, ficou expresso que ambos estavam a acompanhar o caso. No entanto, continua a não ser possível ver uma resposta concreta para os problemas apresentados. A prevista construção de um novo edifício, ao abrigo de financiamento proveniente do PRR, não resolve os problemas imediatos e apenas acomodará umas das várias Unidades de Saúde que actualmente funcionam nestas instalações, pelo que se coloca uma resposta urgente aos problemas estruturais identificados.
Deste modo, a organização regional do PCP e o Grupo Parlamentar do PCP voltarão a realizar nova pergunta para, de novo, denunciar o estado do edifício onde se encontram a a Unidade de Saúde Familiar Pulsar, a Unidade de Cuidados na Comunidade Norton de Matos e a Unidade e Saúde Familiar Norton de Matos.
Alertamos, ainda, que as actuais condições não deixam de estar ligadas às políticas dos sucessivos governos que têm apostado, sistematicamente, no desinvestimento do SNS, e em especial no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários e consequentemente nos cuidados de saúde de proximidade. Para além das dificuldades do foro infra-estrutural, existem também diversos problemas no que toca à garantia e salvaguarda das carreiras dos profissionais de saúde, que por consequência coloca em causa o tratamento e acompanhamento dos utentes.