O Deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Ferreira, enviou a seguinte pergunta à Comissão Europeia: "Numa visita recente ao concelho da Figueira da Foz e em contacto com a organização SOS-Cabedelo pude testemunhar a progressão do fenómeno da erosão costeira e os seus efeitos preocupantes.
Durante a visita tomei conhecimento da queixa dirigida à Comissão Europeia pela SOS-Cabeledo em 24/05/2017, complementada com elementos adicionais em 19/09/2017.
Tendo em conta as preocupações expressas relativamente ao acesso à informação, à coerência com as recomendações do Grupo de Trabalho do Litoral (GTL), com a regulamentação específica do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) e com o Programa da Orla Costeira (POC), solicito à Comissão Europeia que me informe sobre o seguinte:
1. Que avaliação foi feita da referida queixa?
2. De que informação dispõe sobre a natureza das acções concretas de combate à erosão costeira financiadas com fundos da UE em Portugal?
3. Que fundos da UE foram utilizados até ao momento neste domínio e que fundos se encontram ainda disponíveis?"
Na sequência de contactos com a Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3, o PCP apresentou na Assembleia da República o seguinte Projecto de Resolução que "Recomenda a requalificação do IP3, a sua manutenção sem portagens e em condições de segurança":
"O IP3 é consensualmente considerado como a ligação mais curta entre Coimbra e Viseu, tendo uma extensão de 77 quilómetros. O troço, concluído em 1998, é o que maior volume de trânsito tem na região centro em termos de veículos ligeiros e de pesados, especialmente de mercadorias. Chega a registar a circulação de 18.000 veículos por dia nalguns troços.
O IP3, complementado com o IC6 e com o IC12, é a via rodoviária que melhor se articula com as restantes vias da região, de norte para sul e do litoral para o interior, sendo o acesso mais rápido para o Noroeste e para Espanha, afigurando-se também como uma solução economicamente mais vantajosa para o país. Apesar da necessidade, em alguns casos, de acessos condignos às povoações e aos núcleos industriais, não deixa de ser o principal eixo rodoviário ao serviço da região centro, do seu tecido empresarial e das suas populações. Se, no início dos anos 2000, alguns perigos terão sido minimizados com a colocação do separador central em troços mais críticos, entretanto a manutenção parou. Ora, sem investimento nem manutenção eficaz e permanente, a estrada degradou-se assustadoramente nos últimos anos, deixando de cumprir a sua função em condições de segurança. É evidente que as más condições da estrada potenciam a elevada sinistralidade existente. A Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3 tem vindo a alertar para um conjunto de problemas desta via, nomeadamente: - brechas no piso, abatimentos da plataforma e redução das faixas de rodagem; - falta do separador central na maior parte do percurso no distrito de Viseu; - falta de remoção e substituição dos rails que vão sendo destruídos em virtude de acidentes; 2 - inexistência ou desadequação das faixas de aceleração e desaceleração nas entradas e saídas do IP3; - necessidade de correção de muitos nós de ligação, como é o caso do nó do IC6; - falta dos nós de ligação e cruzamentos desnivelados na zona de Oliveira do Mondego/Cunhedo e a falta de saída no sentido Coimbra/Viseu, no nó do Alto das Lamas; - falta de ligação da Zona Industrial de Telhado/Alagoa ao IP3; - estrangulamentos frequentes da faixa de rodagem, com redução das vias de trânsito geralmente em lomba e sem visibilidade; - nas zonas ardidas, barreiras e taludes caídos, ou em ameaça de ruína, encostas desprotegidas e a constante queda de pedras e de árvores; - existência de autênticas grutas por baixo do piso na zona da Espinheira, com o talude arreado e a via suprimida há vários anos; - falta de reparação, desde há 17 anos, da descida do Botão, que aguarda ainda a prometida via com saída de emergência; - falta de sinalização, zonas com falta de drenagem e escoamento, onde se regista frequente ocorrência dos chamados lençóis de água. Nas palavras da Associação de Utentes, o grande problema “é o estado elevado de degradação do piso daquela que já foi conhecida como a estrada da morte e que continua a ser uma das estradas com níveis de sinistralidade mais elevados.” Os 2,5 milhões de euros já anunciados com vista à realização de obras que visam reforçar a estabilidade dos taludes de aterro nos concelhos de Coimbra e Penacova são claramente insuficientes para dar resposta à intervenção necessária para garantir a segurança e reduzir drasticamente a sinistralidade rodoviária no IP3. A isto acresce que qualquer solução que venha a ser implementada em termos rodoviários na região não pode, para o PCP, significar um acréscimo de custos para os utentes do IP3, designadamente, por via da introdução de portagens. A fragilidade do tecido económico, social e cultural da região, bem como a falta de quaisquer alternativas viárias colocam como imperativo a manutenção da gratuitidade da ligação mais curta entre Coimbra e Viseu. 3 Assim, considerando a importância deste itinerário para a mobilidade e desenvolvimento da Região Centro, o grau de degradação desta estrada e o consequente aumento dos perigos e da sinistralidade, o PCP defende que têm de ser tomadas medidas urgentes para a requalificação do IP3, a sua manutenção sem portagens e em condições de segurança. Pelo exposto, os Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do PCP propõem que a Assembleia da República adote a seguinte resolução: Resolução A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomenda ao Governo que: 1. Proceda com urgência à reparação do piso do IP3, em particular as brechas no pavimento em Espinheira e em Souselas, nivelando a plataforma onde há abatimentos, reforçando e reparando barreiras e taludes; 2. Proceda à estabilização urgente dos taludes afetados pelos incêndios; 3. Corrija os graves problemas de segurança causadores de muitas colisões e despistes, designadamente, as curvas mais apertadas, as inclinações acentuadas, as zonas onde se formam lençóis de água, os estrangulamentos de via; 4. Alargue o IP3 para quatro faixas e instale o separador central em toda a sua extensão; 5. Melhore os nós de acesso às povoações e às zonas industriais, de modo a eliminar os cruzamentos de nível; 6. Construa os caminhos paralelos para acesso às propriedades; 7. Instale barreiras sonoras nas zonas habitacionais onde tal não existe; 8. Coloque, nos locais em falta, a necessária e adequada vedação, por forma a evitar a passagem de animais; 4 9. Mantenha o IP3 ao serviço da economia do País e das populações, livre de portagens e com os níveis de segurança exigidos para o volume de tráfego que tem. Assembleia da República, 6 de abril de 2018 Os Deputados, ANA MESQUITA; MIGUEL TIAGO; ANTÓNIO FILIPE; JOÃO OLIVEIRA; PAULA SANTOS; RITA RATO; JORGE MACHADO; DIANA FERREIRA; BRUNO DIAS; CARLA CRUZ; PAULO SÁ; FRANCISCO LOPES; JERÓNIMO DE SOUSA; JOÃO DIAS"
Os deputados do PCP no Parlamento Europeu promoveram esta quarta-feira na Escola Superior Agrária de Coimbra uma audição sobre agricultura biológica. Presentes na mesa estiveram Miguel Viegas, deputado do PCP, Vladimiro Vale da Comissão Política e João Noronha, Presidente da ESAC e anfitrião da iniciativa.
Tendo como pano de fundo o novo regulamento europeu sobre produção biológica que será votado na próxima sessão plenária do Parlamento, o debate, não deixando de analisar criticamente o documento, versou igualmente sobre aspetos mais gerais da Política Agrícola Comum e sobre a Estratégia Nacional sobre Agricultura Biológica, aprovada recentemente pelo governo
A agricultura biológica tem grande potencial em Portugal onde a procura começa a crescer à semelhança do que acontece por toda a Europa. Todavia, para que este potencial possa traduzir-se na instalação de novos agricultores e em espacial de jovens, é necessário colocar em prática uma estratégia de valorização da produção biológica que seja remuneradora para os agricultores. Segundo Miguel Viegas, este regulamento carece desta orientação estratégica e abre as portas a uma subversão do conceito de agricultura biológica na sua verdadeira abrangência. O perigo de uma processo de industrialização da agricultura biológica orientado pelas grandes empresas do agronegócio e pela grande distribuição deve ser considerado, cabendo aqui ao governo impedir que isto aconteça.
Nas várias dezenas de intervenções da parte do público composto por técnicos, produtores, alunos e professores, ouviram-se muitas preocupações, muitas dúvidas mas também muitas esperanças por parte daqueles que acreditam na necessidade de um modelo alternativo de desenvolvimento rural onde o homem possa viver em harmonia com os ecossistemas. O PCP valoriza este modelo de sustentabilidade social, ambiental e territorial, mas mantém a necessidade de romper com as atuais políticas e colocar em práticas políticas públicas de apoio à produção.
Tendo em conta a divulgação dos resultados do concurso de Apoios Sustentados às Artes 2018-2021, nas áreas das artes performativas, artes visuais e cruzamentos disciplinares, uma delegação do PCP, reuniu ontem com a Orquestra Clássica do Centro, o Centro de Artes Visuais, A Escola da Noite e O Teatrão.
Do conjunto das reuniões realizadas e das preocupações partilhadas, o PCP entende reafirmar que:
- Os resultados conhecidos agravam ainda mais a dramática e insustentável situação das estruturas de criação artística e fragilizam drasticamente o tecido cultural; - Na ausência de critérios transparentes e do financiamento adequado, nenhum resultado de nenhum concurso pode ser considerado inteiramente justo; - No caso particular de Coimbra, estes resultados aprofundam as assimetrias regionais, contrariando em absoluto a necessária coesão territorial, tendo como resultado a destruição do que ainda resiste de produção cultural fora dos grandes centros.
O PCP não pode ainda deixar de manifestar o seu mais veemente repúdio pelo conteúdo ofensivo e indigno das apreciações dirigidas e registadas em acta do júri, relativamente a algumas estruturas e ao seu trabalho o que, para além de constituir uma falha grave nas mais elementares regras de respeito, revela um total desconhecimento do trabalho realizado e uma perigosa tentativa de institucionalização de uma política do gosto.
No imediato, e porque urge tomar medidas para evitar que os prejuízos resultantes do concurso sejam consumados, o PCP entregou na Assembleia da República um Projecto de Resolução que propõe medidas para correcção dos resultados do concurso de apoios às artes, reforço do seu financiamento e revisão do respectivo modelo de apoio, e cujo conteúdo pode ser lido na íntegra aqui: http://www.parlamento.pt/Activida…/…/DetalheIniciativa.aspx…
Com esta iniciativa, o PCP propõe medidas concretas para evitar que os prejuízos resultantes do concurso sejam consumados mas também medidas para que seja definido um novo modelo de apoio às artes adequado ao desenvolvimento do trabalho artístico e cultural, assegurando a liberdade de criação artística e o direito à criação e fruição cultural.
É esse o sentido em que o PCP continuará a intervir.