Durante o período estival têm aumentado os problemas relacionados com o sistema de recolha de resíduos da ERSUC em Coimbra. Têm sido evidentes os sinais de insatisfação com o serviço por parte de utentes e de municípios. Sucedem-se relatos de contentores cheios, de irregularidade de recolha e de situações em que os municípios têm que substituir o operador privado. É evidente que não houve reforço de meios em locais onde a população aumenta durante as férias ou durante a realização de grandes eventos. É também evidente a falta de planificação e de investimento por parte da empresa.
A CDU Coimbra há muito que vem denunciando a falta de investimento por parte da ERSUC e do grupo Mota Engil. A ERSUC tem vindo a concentrar os investimentos no fim do contrato de concessão como forma de exercer pressão para a renovação do contrato. Esta política é bastante evidente na gestão do aterro sanitário de Coimbra -em vias de atingir o limite, já tendo ocorrido situações de rupturas e de poluição de cursos de água.
É pública a insatisfação dos municípios, pela forma como a ERSUC gere o sistema, havendo, até, municípios que acusam a ERSUC de privilegiar a distribuição de dividendos em detrimento da qualidade do serviço e de investimentos necessários. O contrato em vigor prejudica os municípios e os munícipes com aumentos de 160% nas tarifas.
Os trabalhadores da ERSUC auferem baixos salários e têm más condições de trabalho. A aumentar a exploração, esta empresa abusa dos contratos precários tendo, neste momento em Coimbra, apenas 40% dos trabalhadores no quadro, criando uma constante instabilidade no seio da empresa.
Este é mais um claro exemplo de que o sector dos resíduos não pode estar entregue à lógica do lucro fácil e imediato. É um serviço essencial às populações e à salvaguarda do ambiente e da saúde pública. A sua gestão deve pugnar pela salvaguarda ambiental, pela garantia da qualidade do serviço prestado, pela boa gestão do dinheiro público, pela valorização do trabalho dos seus trabalhadores e pela salvaguarda dos municípios e das populações.










